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quinta-feira, 26 de maio de 2011

A Saga: parte II

Olha, quando eu falo que não.tá.fácil achar apartamento, explico: não só Londres e Slough são cidades diferentes, como só tem praticamente um jeito de sair de Londres pra lá: pegar o trem em Paddington. Dá pra pegar o trem em Ealing Broadway também e, obviamente, dá pra gente ir morar em Slough. Mas a gente decidiu que essas seriam as últimas opções, no caso de realmente a gente não conseguir nada perto de Paddington.

O problema 1 é que Paddington é uma dessas áreas absurdamente inflacionadas de Londres. Sim, porque a gente fica falando que Brasileiro que é metido a besta, que gosta de contar vantagem, mas o pessoal aqui a-d-o-r-a soltar um "I live in the West End". As pessoas ficam chocadassas quando falo que moramos em Canary Wharf, acham que é no fim do mundo, que é deserto no final de semana, que isso que aquilo. BULLSHIT. East London é o que há, apartamentos mais novos, maiores e com muita, muita opção de coisa pra fazer. Ou seja, muita, mas muita gente mesmo paga absurdos em flats horrorosos só pra falar que mora no West End, em Chelsea, em Marylebone, etc, e como o pessoal tá disposto a gastar, os preços obviamente aumentam.

O segundo ponto 'inflacional' (o Rodrigo não se conforma), é que a maioria da galhera aqui simplesmente não guarda $. O povo gasta, gasta meeeesmo, gasta tudo que tem nas suas bolsas de marca, morando no West End e indo pra balada todo final de semana. E ai o que acontece? A gente, que tem uma renda bem da razoável, mas guarda o máximo de $ possível, perde muito poder de compra em relação à parte da população da cidade. E não tô falando que a gente vive de pão e água não e que é dessas pessoas que só guarda e não vive a vida. Mas pô, a gente pensa no futuro, quer comprar uma casa, essas coisas normais, né? Pra vocês terem uma idéia, os números são um pouco controversos, mas uma pesquisa do NSI (National Security Inspectorate) avaliou que a média de poupança mensal aqui não passa de 7% do salário, o que daria menos de £90 libras por mês.

Enfim, esses são os pontos que afetam o preço. E dai colhegas, tem a qualidade. Porque né, a gente olha aquelas ruas lhindas, com suas casinhas branquinhas, bay windows e tal e pensa "ai que sonho".

Sonho nada companheiro, pesadelo, pesadeloooo! :)

Essas "casas" são tipo umas 5 casas. E, geralmente, a que a gente pode pagar é a que fica no subsolo, embaixo, escuro e aquela coisa. Como se não bastasse, as construções são novinhas (NOT) e você vê cada lixo, cada apartamento caindo aos pedaços, que Deus que me perdoe. Num deles eu não aguentei, perguntei pro cara "WHAT'S THAT SMELL?!?!?!!!" e ele só deu um risinho e falou "ah é porque o flat tá fechado, se abrir entra um arzinho melhor.....". AHAM.

Por fim, sinto dizer, não é preconceito, é simples constatação: a maioria das pessoas é suja sim. Sério, até o Rodrigo se impressionou, tem apartamentos que não tem lugar pra andar, juro, de tanta merda que tem pelo chão, pelos espaços, por tudo. Tudo bagunçado, jogado e às vezes o apê nem é tão ruim, mas quem consegue ter uma boa impressão sem nem conseguir entrar no quarto?!

Só um exemplo de coisas que vemos por ai, eu vi um quase assim da primeira vez que procuramos casa!

ENFIM! Desculpaê o desabafo. Estamos aqui na busca, eu já fui em com certeza mais de 15 apartamentos e até então só vimos 3 pros quais faríamos uma proposta. Até fizemos uma, mas perdemos porque o outro casal resolveu cobrir a oferta e pagar mais, rá! O outro tamos pensando e o outro vamos ver daqui a pouco. Ele é perfeito, dentro do nosso orçamento e num lugar legal. Torce ai por nóis!!!!! :D

sábado, 3 de julho de 2010

Casamento Hindu

Gentiiiiiii, tô me sentindo muito no clima Caminho das Índias. Eu e o Rô ontem recebemos um convite de casamento... Hindu! Tipo Raj e Maya, meu sonho de consumo (de ir, não prá casar, ok?) :)

Todo mundo sabe que a comunidade Indiana em Londres é gi-gante, você vê Indianos por todos os lados e restaurantes então, nem se fala. E enquanto alguns indianos são beeeem, digamos, britânicos (afinal é toda uma geração já nascida aqui), outros mantêm bem forte suas tradições e costumes. E, pelo jeito o casamento é super, super Hindu tradicional - EBA!

Primeiro, olha que LINDO o convite, vai:

Segundo, que rolou todo um Google prá descobrir do que se tratava o casamento. Por exemplo, o que eu reparei primeiro é que são os avós do noivo que convidam prá recepção e não como nós fazemos, em que os pais dos noivoS convidam.

A inscrição no começo do convite "Shree Ganeshaya Namah" é nosso equivalente ao versículo que alguns casais colocam no convite. No caso, significa "Ganesha, I pray to You". Ganesha, como tooooodo mundo que assistiu Caminho das Índias sabe (viciada, eu?!) é aquele Deus que tem cabeça de elefante - e está no detalhe na frente do convite.

Por último e mais interessante - e que eu nunca tinha visto - é a inscrição de "No Boxed Gifts Please". Dai ferrou, né? Toda uma dúvida prá saber do que se tratava, mas com todo meu pseudo-conhecimento da cultura Hindu já esperava que era isso mesmo: é muito comum em casamentos indianos que os noivos prefiram dinheiro em vez de uma cafeteira micha, por exemplo. Do que eu tava lendo sobre essa tradição, pedir dinheiro em vez de presente não é falta de educação ou elegância. E mais, você pode até dar um presente se quiser (desde que tenha a ver com você, algo que faça os noivos lembrarem de você), mas se quer respeitar o pedido dos noivos tem que dar dinheiro mesmo.

Li até uma Indiana falando que é bem normal no fundo da festa ter uma mesa com um membro homem da família e um livro. Os convidados vão lá, falam o nome e quanto querem dar. E no final da festa o dinheiro vai pros noivos e pronto! Eles decidem o que vão comprar.

Enfim, tô mó animadona, acho que vai ser uma experiência diferente e bem legal - só me resta agora saber com que roupa, meu Pai com-que-roupa eu vou. Ó dúvida...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Settled

Faz uns posts ai, eu recebi um comentário assim: "pretendo ir morar p Londres... gosto de ler blogs do povo brasileiro q mora aí... Parece q vc n tá amando tanto assim..."

Dai que eu, por 0.23 segundos pensei: "Que absurdo! Mas como ousas?!"
Mas né, bom senso manda lembranças e na mesma hora me veio que sim, a culpa é só minha porque - verdade seja dita - eu reclamo muito hihi. Pois bem, deixa eu me explicar. Claro, eu acho muito IRADO eu poder dizer que fui à Suiça a trabalho, que vou passar a páscoa em Vienna (sim!) e tô pensando em ir prá Portugal em junho, néam... É demais, é muito legal mesmo.

Mas eu não sou muito iludida. Então eu nunca achei que morar na Europa ia ser um glamour, um luxo. Galhera, não é. Em alguns pontos - principalmente viagens - sim, é incrível, como já falei. Mas prá quem não vive só de viajar, o que conta mesmo é o dia-a-dia e essa rotina não é nenhuma maravilha do mundo moderno. A gente tá ralando muito prá morar num apartamento ok num lugar que não fique no fim do mundo, faxinar todo final de semana (mentira, esse fds a gente não fez nada), tirar mofo da janela, ter $ prá sair, fazer as coisas que a gente gosta, pagar as contas e TENTAR ir viajar.

Então quando eu reclamo não é um "ai que ódio que vim parar nesse fim de mundo" nem nada disso, mas são constatações da vida por aqui, simples como isso. Mamãe não manda comida congelada de casa toda semana (juro, pior mudança ever, mas já tava na hora haha), não posso ir prá praia no final de semana, o frio tem sido uó, o metrô daqui é infernalmente lotado principalmente prá mim que nos últimos cinco anos só andei a pé, o mofo que se acumula na casa é inacreditável, meu emprego é mil vezes pior do que eu tinha antes e eu tô longe dos meus amigos. Fatos.

Resumindo.

Eu tô feliz e não me arrependo de ter vindo não - apesar de minha carreira ter ficado com raiva de mim e me atormentar todo dia quando eu vou trabalhar. E no geral, e especificamente agora, eu me sinto "em casa", como diz Helô. Acho que faz umas duas semanas, fui no ônibus pro ballet conversando com uma inglesa que faz aula comigo e ela tava me perguntando até quando eu ia ficar, o que eu fazia, se eu trabalhava, namorava, planos, etc. E quando eu terminei de explicar como tava minha vidinha por aqui, ela falou a frase que define esse momento: "You are all settled, then!".

Eu to settled e isso já diz muito sobre a minha satisfação por aqui! Eu quis settle, organizei uma rotina que eu gosto e aproveito o que a cidade oferece. E assim a vida segue! Massss... so sorry. Como disse, sou bem realista e vou ter que continuar falando mal do cheiro dos ingleses, da água horrorosa, do frio que não vai embora, de eu não poder ir na manicure, etc etc etc... Fatos da vida, uai!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Etiqueta brasileira

Acabei de sair prá almoçar sozinha (é, sozinha, tá? Depois explico essa cultura ma-ra-vi-lho-sa dos ingleses de almoçarem na mesa do escritório). Daí que né, eu trabalho no Soho e eu não sei porque, mas aqui tem mais brasileiro que em São Paulo.

Pois bem. Sentei lá na minha mesa quietinha, observando o movimento. E aqui as mesas são bem juntinhas, daí que chegou um casal e posso dizer que eles sentaram praticamente na minha mesa. Dei aquele sorriso de oi normal e pronto.

E então que - claro - eles eram brasileiros. Só que eu não sou, ao contrário do que dizem, muito extrovertida de sair falando "aaaaaiiii geeente, vocês são Brasileiros?! Ai que máximo nos encontrarmos aqui! O que vocês fazem? Vamos ser amigos?". Então continuei comendo, na minha. (acho que eu tô virando meio inglesa, que prefere não invadir o espaço alheio... será? Por Diós, tomara que não).

Só que a questão é que eu passei a próxima meia hora ouvindo tudo o que aqueles cidadãos, imaginando-se anônimos, falaram (believe me, eles realmente soltaram umas de quem acha que ninguém tá escutando).

E dai o que que eu faço? Eu interrompo e aviso? "Ae galhera, manera no assunto sobre o sexo maravilhoso que vocês tiveram ontem que eu não to interessada"? Ou logo quando eles chegaram eu devia ter falado "Opa conterrâneos, sou brasileira também, por favor manerem na besteira". Ou fico quieta prá não constrangê-los (e a mim também, veja bem), choro de rir por dentro e vou-me embora sabendo detalhes íntimíssimos da vida dos desconhecidos?

Diga ai, qual deveria ser minha etiqueta nessas horas, ahm?!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Tchau Kaiser!

Hoje é meu último dia de Kaiser (que prá quem não sabe é 1 - onde eu trabalho, 2 - não é a Kaiser de cerveja, veja bem!).
Vou sentir saudades (já falei, né?)! Foram dois anos de bastaaaante aprendizado, de conhecer pessoas muito legais e especiais, de comer bastante na Fioretta, e de fazer vários projetos muito importantes para mim também. Gente, até dos meus chefes eu gosto! hahaha (e olha que eu nem preciso mais puxar o saco, né Tá!)

Óbvio que eu vou fazer umas visitas ainda em julho, vou almocar aqui sempre, vou no casamento da Fer e não vou deixar ninguém em paz, mas não é igual, né?

Fora que dai surgem vááárias dúvidas, né... Fiz mesmo a escolha certa? Será que algum dia eu vou gostar tanto do trabalho igual eu gostava? Será que eu vou trabalhar de novo com pessoas que eu considere legais? Será que eu vou arranjar outro emprego logo? E que pague o mínimo prá minha sobrevivência lá? dúvidas, dúvidas, dúvidas... Ai como eu queria ser uma pessoa super decidida e sem crises!

Enfim... Assim é a vida, né Pablito?

No mais, agradeço muito pelo que a Kaiser me proporcionou, profissionalmente e pessoalmente e por todas as oportunidades de crescimento que me trouxe. Foi uma fase muito boa!
Até mais!